Em Veneza sempre deram grande importância às boas maneiras. Durante anos, a cidade do norte de Itália lutou contra as piores manifestações do turismo de massa. Neste verão, regras rígidas serão aplicadas novamente aos turistas e multas severas serão aplicadas aos infratores.
Por exemplo, é proibido andar pela cidade nu da cintura para cima ou para tomar banho nos canais. Também não é permitido sentar-se em muitos locais – por exemplo nas calçadas e ao redor das fontes, nas escadas ou nas pontes.

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A “taxa de entrada” é adiada para 2024
Na verdade, as autoridades municipais querem limitar o número de veranistas – especialmente aqueles que vêm sem pernoitar. O número oficial de turistas em Veneza em 2019 foi de 5,5 milhões. Porém, a eles se somam turistas de um dia, que multiplicam o número total anual de visitantes. Regular este tipo de turismo está a revelar-se difícil.
A introdução de uma “taxa de entrada” para esses turistas, de que há muito se fala, está, no entanto, adiada para o próximo ano. Veneza é a primeira cidade da Itália a implementar tal medida. Mas não o único obrigado a tomar medidas para regular o fluxo de turistas. No município de Baunei, na ilha da Sardenha, por exemplo, neste verão o acesso às praias mais visitadas é regulamentado de forma mais rigorosa, segundo o jornal “Il Messaghero”. Diariamente estão à disposição dos visitantes um determinado número de lugares pagos na praia, para os quais é necessária reserva antecipada.
Este Verão, a Itália está a viver um boom turístico sem precedentes. Segundo o instituto sociológico “Demoskopika”, este ano o país vai bater um novo recorde turístico. Espera-se que mais de 68 milhões de turistas visitem o país – quase três milhões a mais do que no ano pré-pandemia de 2019. Em muitos locais, este afluxo cria problemas, inclusive em pequenas ilhas, onde o tráfego automóvel no verão já aumenta enormemente.

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Não há carros turísticos nas pequenas ilhas
Os turistas não podem mais dirigir até as ilhas de Lampedusa e Linosa, localizadas entre a Sicília e o Norte da África. Isto também se aplica à ilha de Prosida, no Golfo de Nápoles. “Somos a ilha mais densamente povoada da Europa e para nós a mobilidade é um problema”, disse o prefeito de Procida, Raimondo Ambrosino, ao Il Messaghero. Todos os anos, a ilha, que tem apenas quatro quilômetros quadrados de área, recebe 600 mil turistas que querem apenas caminhar de qualquer maneira. Carros e ciclomotores só causam caos desnecessário, acrescenta.
A cidade costeira de Portofino, não muito longe de Génova, também impôs restrições. Durante o verão, milhares de turistas lotam as ruas estreitas ao redor do porto. Para evitar o caos total na pitoresca antiga vila piscatória, entra em vigor neste verão um novo regulamento que permite à polícia multar os turistas até 275 euros.
Policiais regulam o trânsito de pedestres
A portaria proíbe a aglomeração de pessoas em determinadas áreas do município, onde o fluxo de pessoas é tão grande que é necessário que os policiais regulem a circulação de pedestres.
Outro regulamento contém regras para o comportamento decente dos visitantes. Por exemplo, em todo o centro da cidade não é permitido andar descalço, com o corpo nu da cintura para cima ou de biquíni. Ou seja: em Portofino não é diferente de Veneza.

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